Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?
Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.
José Carlos Ary dos Santos
terça-feira, 3 de junho de 2008
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1 comentário:
"Lucidez Orgulhosa
Os teólogos há muito o notaram: a esperança é o fruto da paciência. Deveríamos acrescentar: e da modéstia. O orgulhoso não tem tempo de esperar... Sem querer nem poder estar à espera, força os acontecimentos, como força a sua natureza; amargo, corrompido, quando esgota as suas revoltas, abdica: para ele, não há qualquer forma intermédia. É inegável que é lúcido; mas não esqueçamos que a lucidez é própria daqueles que, por incapacidade de amar, se dessolidarizam tanto dos outros como de si próprios."
Emil Cioran, 'A Tentação de Existir'
Achei ajustada, esta confortável citação, haja conforto. :)
Haja paciência para esperar, e uma modesta lucidez para aceitar de braços abertos nossa terra prometida.
"Que nunca exista o medo de tentar, que nunca exista o medo de sinceramente se expressar, que nunca exista o medo de se eternamente revoltar...e amar."
(One.Man.Revolution) :)
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