Sinfonia de Inquietude




Selecção musical por DJ Tormento, aceito discos pedidos...lol

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Metamorfose do tempo.




"Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida."
(Fernando Pessoa)

Um novo ano feliz, é o que vos desejo meus amigos!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quem para ser amigo?


Perguntado sobre quem devemos procurar para amigo, Sócrates, respondeu: “Aquele, penso, que tenha as qualidades contrárias: senhor dos apetites sensuais, fiel a seus julgamentos, condescendente nos negócios, que não fique atrás dos que o beneficiem, pronto a servir quem o sirva”
Muitas vezes, Sócrates disse que coleccionava amizades, e, exactamente por isso,a sua vida tinha sentido. Também Cícero, na velhice, recordava das amizades que teve, cujo efeito era o “sentimento de ter vivido uma vida feliz”. Infelizmente, os filósofos de hoje, sobretudo os especialistas formados nas frias “ralações” acadêmicas, são ignorantes quanto a exortar o valor da amizade e fornecer instrumentos mais actualizados para desenvolvermos amizades, num mundo cada vez mais solitário e perigoso. O individualismo e a pressa de nossa época boicotam, por exemplo, compreender um amigo no seu descontrole ou no seu destempero. E como. ah..

Bem mas isto são balelas só minhas e de um recente amigo meu, o Sr.Alberoni. Sim. Ele mesmo. Acho eu. Não sou boa de nomes. Escreve livros sobre amizade.. Argh..é o que dá ser sociólogo na Pianceza, la para Itália. Vão ao Google.Leituras Vazias, mas a técnica? Está por lá. Está. Eu Confirmo.

Mas ele tem razão quando diz: " A amizade é a única relação afectiva incompatível com a ambivalência. Talvez seja por este motivo que os amigos prefiram ver-se apenas de vez em quando do que viverem juntos. " Este homem pensa. Nós não?

Dará resultado?

Aaaa Vamos lá ver.

Não é preciso temer as palavras meus amigos.

Pior. Pior mesmo. É a confirmação delas.

Medo. Algum. Oops. Nem Pensar. Dúvidas?

"Há amizades que nunca chegam a acontecer".


Richard Curtis realizou o "Amor acontece", lembram-se? (ah. Gosto do título.), ouvi dizer que para 2009 teríamos "A Amizade também Aconteceu"..


Feliz 2009!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Altos voos.



Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

Um feliz natal para todos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

(amor liberdade?)




Uma das indigências dos nossos dias é a que se refere ao amor. Não porque ele não exista, mas a sua existência não acha lugar, acolhimento na própria mente e mesmo na própria alma de quem é visitado por ele. No ilimitado espaço que, na aparência, a mente de hoje abre a toda a realidade, o amor tropeça com barreiras infinitas. E tem de justificar-se e dar razões sem fim, e tem de resignar-se finalmente a ser confundido com a multidão dos sentimentos, ou dos instintos, se não quer esse lugar escuro da “libido”, ou ser tratado como uma doença secreta, de que deveríamos libertar-nos. A liberdade, todas as liberdades não parecem ter-lhe servido de nada; a liberdade de consciência menos que nenhuma, pois, à medida que o homem foi acreditando que o seu ser consistia na consciência e mais nada, o amor foi-se encontrando sem espaço vital onde respirar, como uma pássaro asfixiado no vazio de uma liberdade negativa.
Pois a liberdade foi adquirindo um sinal negativo, foi-se convertendo – ela também – em negatividade, como se, ao ter feito de uma liberdade o a priori da vida, o amor, o primeiro, a tivesse abandonado. E assim, ficará o homem com uma liberdade vazia, o oco do seu ser possível. Como se a liberdade não fosse senão essa possibilidade, o ser possível que não pode realizar-se, necessitando do amor que engendra. “No princípio era o verbo”, queria dizer também que era o amor, a luz da vida, o futuro a realizar-se. Sob essa luz, a vida humana descobria o espaço infinito de uma liberdade real, a liberdade que o amor concede aos seus escravos.
Viver o lado negativo da liberdade parece ser o destino que há-de purificar o homem da nossa época. E nada mais difícil de decifrar que o que sucede na negação, na sombra e na vacuidade. Vida na negação, é a que se vive na ausência do amor. Quando o amor – inspiração, sopro divino no homem – se retira, não parece perder-se nada de momento, e até parecem emergir com mais força e claridade coisas como os direitos do homem emancipado. Todas as energias que integravam o amor ficam soltas e a vaguear por sua conta. Como sempre que se produz uma desintegração, há uma repentina liberdade, em verdade pseudo-liberdade, que depressa se esgota.

María Zambrano

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"you can erase someone from your mind. getting them out of your heart is another story." *

* from "Eternal Sunshine of the Spotless Mind"



“Undenied” By Portishead

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Prisão em Si...



"Quando uma palavra morre
Quando é dita
Dir-se-ia
Pois eu digo
Que ela nasce
nesse dia

Meu rio corre até ti:
Mar azul, aceitas-me?
Meu rio espera resposta.
Ó mar, vê se me gostas.
Eu te trarei regaços
Diz mar, vais-me levar?

Eu tinha uma Jóia nos dedos
E fui dormir. Comigo
Pensei: O dia está quente, o vento indolente,
Não há perigo.

Ao acordar censurei meus dedos honestos
A Jóia sumira.
E agora uma lembrança Ametista
É só o que me resta.

Eu nunca ouço a palavra "escapar"
sem sentir fremente o sangue
Nas veias, espera do de repente,
Atitude de voar!

Nunca ouço de maciças prisões
Em combates derrubadas
Sem ficar sacudindo as minhas grades,
Infantilmente - p'ra nada!

Há certas coisas de voar -
Aves - abelhas - horas do dia -
delas nenhuma elegia.

Há outras coisas de ficar -
Dor - colinas - eternidade -
Não me competem, em verdade.
E há outras que o repouso re-anima -
O arcaz dos céus posso eu expor?
Tão quieto jaz o enigma!"

(EMILY DICKINSON)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

NEVER LET ME DOWN AGAIN

I'm taking a ride
With my best friend
I hope he never lets me down again
He knows where he's taking me
Taking me where I want to be
I'm taking a ride
With my best friend

We're flying high
We're watching the world pass us by
Never want to come down
Never want to put my feet back down
On the ground

I'm taking a ride
With my best friend
I hope he never lets me down again
Promises me I'm as safe as houses
As long as I remember who's wearing the trousers
I hope he never lets me down again

Never let me down

See the stars they're shining bright
Everything's alright tonight


By Depeche Mode

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Tribute to all FLOWERS

A sign of time
I lost my life, forgot to die
Like any man, a frightened guy
I'm keeping memories inside
Of wounded love

But I know
I'm more than sad and more today
I'm eating words too hard to say
A single tear and
I'm away
Away and gone

I need you
So far from hell, so far from you'
Cause heaven's hard and black and grayYou're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why ?
Why do flowers die ?
Why, lover why ?

Everytime
I hear your voice, you heard my name
You built the fire, wet the flame
I swim for life, can't take the rain
No turning back
I need youSo far from hell, so far from you'
Cause heaven's hard and black and gray
You're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why ?
Why do flowers die ?
Why, lover why ?
Why, lover why ?
Why do flowers die ?
Why, lover why ?

By Chad & Jeremy

Abraço e Beijo amigo

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Mundo da Musica...Era moderna....

Realmente há tradições que não mesmo o que eram...

Os Lavradores já não são o que eram....



Nem os legos se safam....





Enfim...que mais virá!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

*Bela sinfonia*

"True Love Waits" - Radiohead

I'll drown my beliefs
To have you be in peace
I'll dress like your niece
To wash your swollen feet

Just don't leave, don't leave

And true love waits
In haunted attics
And true love wins
On lollipops and crisps

Just don't leave, don't leave

I'm not living
I'm just killing time
Your tiny hands
Your crazy kiss and smile

Just lonely, lonely..
Just lonely, lonely..

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Porquê esta ansiedade?

Diz-me porquê esta ansiedade?!
Porquê ansiedade...
de te ver;
de te escutar,
de ouvir o teu silêncio,
de te ver tremer,
de ver tuas expressões,
de te abraçar,
de te tocar,
do teu sussurrar,
do teu opinar,
de me fazeres ruborizar,
das longas noites,
da acalmia e da tempestade,
da amizade e do amor,
Porquê tanta ansiedade?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O pesar da Distância

A distância tem seu pesar.
Padece e gera cólera.
Enlouquece e envolve.
Sente-se, vive-se...
Penetra o íntimo,
Faz ferver a seiva interior,
Com necessidade que de nós extravase.
Sua continuidade...
Um afogamento.
Conhecer e afastar…
Meta difícil,
Mágoa infinita,
Escravidão do coração!

domingo, 14 de setembro de 2008

O GRITO DO SILÊNCIO

Há silêncios dentro da alma
silêncios que ficam
na vã ausência das palavras
Há silêncios que calam
silêncios que gritam
silêncios que marcam
e marcando nos deixam
mais ainda no silêncio
Há silêncios que são gritos
silêncios que choram
silêncios feitos de mil palavras
silêncios que calam a alma
Há silêncios que são mordaças
silêncios que são calmaria
silêncios que são prisão
há silêncios fechados
guardados
silêncios que são correntes
para o coração
Há silêncios que são gritos
silêncios que são sonhos
que ficam em silêncio
numa espera adormecida
são silêncios feitos de espera
silêncios de agonia
silêncios que calam a vida
Há silêncios que são o silêncio
onde se prende a alma perdida
no silêncio da palavra
no silêncio do sorriso
grita um outro silêncio
que é feito de muitas palavras
silêncio, feito de mágoa
silêncio transformado em nada
silêncio que mata as palavras
numa boca que jaz, gelada !!!

Por - Gonçalo de Assis

Turbilhão na mente

A incapacidade é envolvente.

Apta a influências externas,

Deixo que a tristeza me perturbe,

Me leve consigo,

Me distraia.

A rejeição é sua amiga.

Juntas fazem grande turbilhão,

Grande alarido na mente.

Muitas das vezes rejeitamos aquilo que mais queremos,

Talvez para benefícios alheios,

Males próprios,

Ou como forma de protecção!

Nem sempre é a decisão mais certa.

Nem sempre o risco trás recompensa.

Será que mais vale proteger, do que deixar levar e morrer o interior de alguém?

Será que mais vale cultivar uma amizade,

Na tristeza de não poder amar?

Mais vale é fugir.

É impossível fugir do que o coração quer.

Que fui fazer?

Preciso de um guia.

Enquanto a noite cai...

O Mundo das trevas

Num mundo
rodeado de trevas
Doce, querida escuridão…
Procuro neste imenso
talvez um pouco de amor…
Triste a minha ilusão
procurar conforto para o coração…
triste sentimento navegante
na escuridão da lua permanente…

Não há nada neste mundo
a não ser o absoluto,
nada!
Aqui, procuro
inocência nas trevas
Ouço um bater de coração
procuro mais um engano,
mais peças de frustração…
Caminhando ao som de um rio
Caminho por caminhos de vazio…
Preso nesta minha liberdade
asas de imaginação
Falsa e hedionda razão…
Para viver…

Neste mundo,
escuridão absolutamente imortal
trevas imensas sem igual…
Sítio imenso e frio…
Vento de agonia,
imensa conforme monotonia…
Sou fantasma no meio deste imenso
mundo de opaco
Tão puro, tão fraco
tentar resistir é demasiado intenso

Deixei-me levar
nesta prisão.
Não consigo falar
nesta imensa libertação…
Sufoco total
e imparcialmente imparcial…
Mundo de sombras…
Noite incansável,
escondida e impenetrável…
Sítio de sobras…
…do que outrora
terá sido um jovem coração
Destruído,
amargurado, corrompido
pela solidão…
Caído, destroçado em maldição…
Triste e esfaqueado em perdição…

Há memórias neste mundo
pelos menos houve um dia
Memórias de criança que ria
doce criança, doce infância
Nascida para viver
a vida, a agonia
de quem está a morrer
Fantasma deste mundo
Vagueando sem rumo,
sem destino
Neste que foi final imundo
de quem queria ser feliz
Coração de alguém
reino do além
Além da dor,
tristeza, amor
Neste lugar onde
não reina ninguém…
Nesta terra do poeta voador…
Poeta triste escritor…
que um dia aqui se perdeu…
e se deixou ficar…
Neste universo de destroços…
…do coração que foi meu…

(Poeta, sonhador desconhecido)



Enquanto a noite cai (Xutos&Pontapés)

O sol desce para Monsanto
Enquanto a noite cai
Adormeceu entretanto
Ja saiu a namorada
Aguardou este momento
Sabe que a hora é sagrada
Nem é tarde nem é cedo
Era a que estava marcada
Vai por cima do roupeiro
Acha a caixa arrumada
Sopra o pó abre-lhe o fecho
Da com ela descansada
Descansada esta a arma
No pano adormecida
Tao perfeita tao gelada
Própria p'ra te roubar a vida
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser
Trancou a porta de casa
Desceu decididamente
Aspirou o ar da rua
Fundiu-se no mar de gente
Via arma e apanhei-a
Dei com o corpo no barranco
Ja nasceu a lua cheia
Desceu o sol em Monsanto
E enquanto a noite cai
O que é que ele vai ser

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Incógnitas da Vida

É dificil gerir, digerir.
Lidar com a distância, o silêncio.
É dificil afastar e aceitar;
É dificil viver e deixar de viver.
Mais fácil é ficar embriagado,
Adormecer, morrer...
Dificil é querer e não ter,
Não saber que fazer!
A vida... uma perdição.
Será que somos meros actores nesta vida?
Actores que dramatizam para almas de outra dimensão.
Incógnitas da vida numa vida
.

A minha Luz


Existe uma Luz,
Uma Luz que me ofusca a mente,
que me guarda docemente,
que me eleva os pensamentos loucamente.

Essa Luz é eterna,
ela conhece-me.
Brilha e encanta.

Tem seu encanto próprio que muitos não avistam,
tem essência na minha vida.

Não quero que se apague,
odeio que se apague,
mas ela é luz e a luz penetra em toda a parte.

A Luz tem vida própria,
não pode brilhar só para mim,
também tem seus deveres,
sua vida própria, seus sonhos.

Oh Luz, Luz, como necessito de ti...
Tenho de te deixar brilhar por outros recantos.

Sinto tua falta,
não gosto da escuridão.

Oh Luz, sê pelo menos minha amiga,
brilha para mim como para qualquer mortal.

Que escuro... perco a visão, lá se foi a razão!

Anatéma, dádiva...excomunhão.

"Anátema (do grego antigo ἀνάϑημα "oferta votiva" e, depois, ἀνάϑεμα "maldição"; derivadas de ἀνατίϑημι "dedicar") era na Grécia Antiga uma oferta posta no templo de uma deidade, constituída inicialmente por frutas ou animais e, posteriormente, por armas, estátuas etc. Seu objetivo era agradecer por uma vitória ou outro evento favorável.

No Cristianismo, é uma sentença de excomunhão da Igreja. Em algumas tradições cristãs existem ritos específicos para a anátema.

O apóstolo Paulo relata o termo em uma de suas cartas sobre a inconstância dos Gálatas nas doutrinas pregadas nas igrejas:

"Maravilho-me de que täo depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual näo é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". (Gálatas 1:6-8)"

Transcrição Wikipédia.




One Last Goodbye (Anathema)

How I needed you
How I bleed now you're gone
In my dreams I see you
I awake so alone

I know you didn't want to leave
Your heart yearned to stay
But the strength I always loved in you
Finally gave way

Somehow I knew you would leave me this way
Somehow I knew you could never stay
And in the early morning light
After a silent peaceful night
You took my heart away
And I grieve

In my dreams I can see you
I can tell you how I feel
In my dreams I can hold you
And it feels so real

I still feel the pain
I still feel your love
I still feel the pain
I still feel your love

And somehow I knew you could never, never stay
And somehow I knew you would leave me
And in the early morning light
After a silent peaceful night
You took my heart away
I wished, I wished you could have stayed

Pior do que ser abandonado, pior do que abandonar alguém, é quando nos abandonamos a nós próprios e abdicamos de nossa essência.

Saudações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

amor fino


"O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino."
Padre António Vieira, in "Sermões"

A SINCERIDADE HABITUAL NÃO PASSA DE UMA MÁSCARA

"Toda a acção é necessariamente mal conhecida. Para que não expressemos contradições de momento a momento, precisamos de uma máscara - como acontece se quisermos ser sedutores. Mas é preferível conviver com os que mentem conscientemente, porque esses também sabem ser verdadeiros conscientemente. Porque, a sinceridade habitual não passa de uma máscara, da qual não temos consciência."
Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'

O invulgar vulgar desfecho.Fica o eco, o vazio.



A minha Morte

Eu quero, quando morrer, ser enterrada
Ao pé do Oceano ingénuo e manso,
Que reze à meia-noite em voz magoada
As orações finais do meu descanso…

Há-de embalar-me o berço derradeiro
O mar amigo e bom para eu dormir!
Velei na vida o meu viver inteiro,
E nunca mais tive um sonho a que sorrir!

E tu hás-de lá ir… bem sei que vais…
E eu do brando sono hei-de acordar
Para teus olhos ver uma vez mais!

E a Lua há-de dizer-me me voz mansinha:
- Ai, não te assustes… dorme… foi o Mar
Que gemeu… não foi nada… ’stá quietinha…

Florbela Espanca em [Esparsos de Florbela]

"The day that never comes", after all the day has come...why?

sábado, 23 de agosto de 2008

A morte do magnético.



The day that never comes (Metallica)

Born to push you around
You better just stay down
You put away
He hits the flesh
You hit the ground
Maps so fulls of lies
Tend to black your eyes
Just keep them close
Keep praying
Just keep waiting

Waiting for the one
The day that never comes
When you stand up and feel the warmth
but the sunshine never comes
No the sunshine never comes

Push you cross that line
Just stay down this time
Hiding yourself
Crawling yourself
You'll have your time
God I'll make them pay
Take it back one day
I'll end this day
I'll spread the color on this grave

Waiting for the one
The day that never comes
When you stand up and feel the warmth
but the sunshine never comes
No the sunshine never comes

Love is a four letter word
And never spoken here
Love is a four letter word
Here in the prison
I suffer this no longer
I put it into
This I swear!
This I swear!
The sun will shine
This I swear!
This I swear!
This I swear!

sábado, 16 de agosto de 2008

Sonhos... de uma Lua
















Só o amor nos trás liberdade, vontade de voar e vencer.
Meu fiel sentimento, novas puras e doces sensações.
Aquele brilho infinito no olhar.
Uma música no coração.
Alguém no outro lado à espera.
Uma tormenta que atormenta.
Avanço... avanço lentamente.... em direcção à luz.
Uma luz que me puxa e eleva!
Meu abrigo, meu arco-iris pálpavel.
Exploro os segredos de ser de um ser.
Experiências inesquecíveis!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Novo dia, novo renascer, eternamente novo.




"O sol não quer se pôr
Na imensidão do azul infinito
Céu,
Aromas...
Sumindo devagarzinho, singelo.
Único.
Irradiando-nos com seu brilho.
Lúcido
O sol não quer se pôr
Vejo-o se esconder entre nuvens desconhecidas.
Estrela de grande esplendor.
No mar irradia.
Astro
O sol não quer se pôr.
As janelas estão sendo fechadas.
As luzes apagadas.
As cartas terminadas.
O tempo é compreendido.
Noite
A lua chega.
Iluminando o planeta.
Com ternura
Toma-nos pouco a pouco.
Intensamente.
O sol vai se pôr
Agora
Não importa.
Amanhã a alvorada estará de volta.
No canto das aves.
No florescer das rosas
No girassol amarelo.
No desabrochar de cada vida,
Vivida."
(Poeta, sonhador desconhecido)



Aqui fica uma menção honrosa ao "Culto" do Astro rei... ;)

Fiquem bem meus amigos companheiros de inquietude...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Uma voz do sudoeste!!!!



Uma historia, um livro, páginas por escrever, momentos por viver...um fim para ainda vencer.Cervejas à parte claro, lol!

"Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar.. Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre." (Bob Marley)

"Fácil e difícil"

"Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.

Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos ver...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las..."

(*) Título original: Reverência ao destino (Carlos Drummond de Andrade)

Fácil é o refugio nos pensamentos dos outros, nos sentimentos alheios...no banal egoísmo de nossos dias.Dedico este meu pensamento e os de outros a cima, aos que sem pedir nada em troca me deram muito de si mesmos...meus amigos obrigado.

Saudações de inquietude...;)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Missão Possivel...ouçam um suspiro de loucura.



Oceano Nox (Antero de Quental)

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquantoo vento
Passava como o voô dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado enevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das cousas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?—

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

(Antero de Quental)

Poema ao eterno azul.Às palavras gravadas nas areias do tempo.

Saudações meus companheiros de inquietude.

sábado, 19 de julho de 2008

Há dias assim...a maneira como me fazes sentir!



Lamento a minha actual falta de actividade "bloggista" mas cá vai disto.
Peço perdão pela "sangria", mas com o calor que se faz sentir até que sabe bem uma fresquinha.Bom proveito! :)

É o problema da excessiva disponibilidade para ajudar os outros, acabamos entalados. lol

Saudações meus companheiros de inquietação...é o despertar de uma nova era.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Porque é que se faz zapping?

Porque, por muitas vezes que se mude de canal, as repetições são de tal forma que mesmo fazendo zapping ainda conseguimos ver o mesmo filme. Além disso, para aqueles que não gostam de ginástica, é uma boa forma de exercitar os dedos...

domingo, 13 de julho de 2008

Para quem a terra não é tudo...Parte III

É bom manter as coisas simples.Backwold.

sábado, 12 de julho de 2008

Shall we dance?


A música tem o poder de dissolver as tensões do coração e a violência das emoções sombrias.
O entusiasmo do coração manifesta-se espontaneamente no som do canto, na dança e no movimento rítmico do corpo.
O efeito inspirador do som invisível que emociona os corações dos homens, unindo-os, é um enigma que perdura desde os tempos mais remotos. Governantes utilizavam essa tendência natural para a música; elevaram-na e deram-lhe ordem. A música era considerado como algo sério e sagrado, que purificava os sentimentos dos homens. Cabia a ela louvar os méritos dos heróis, construindo, assim, uma ponte para o mundo invisível. Nos templos, os homens aproximavam-se de Deus através da música e da pantomina (da qual o teatro se desenvolveu). (...)


Confúcio comentava a respeito do grande sacrifício em que se celebravam esses ritos: "Aquele que compreendesse plenamente este sacrifício poderia reger o mundo como se o girasse em suas mãos".
(in I Ching-o livro das mutações)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Busca da Felicidade ou do Sofrimento

"O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.

Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade".


Albert Camus, in 'O Homem Revoltado'

terça-feira, 8 de julho de 2008

Para quem a terra não é tudo...Parte II

Aqui fica mais um convite. Psychic TV e o seu genial mentor - Genesis P-Orridge –
Para quem a terra realmente não é tudo...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Teatro dos Sonhos.

Não podia deixar no esquecimento mais este fantástico acto do Teatro dos Sonhos. È graficamente inquestionável a qualidade de sua arte, já para a audição de muitos talvez de digestão complicada. Dedico aos apreciadores do virtuosismo e perfeccionismo na interpretação musical. Por vezes enfadonho, mas ainda assim admirável a meu ver.



Já que se fala de sonhos...

Sonho

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males, eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descamado
Sustentava a cruel, e me dizia:
- «Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, oh desgraçado!»

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece e lhe diz com voz irada:

- «Emprega noutro objecto os teus rigores,
Que esta vida infeliz está guardada
Para vitima só de meus furores.»
(Bocage)

Para quem a terra não é tudo...Apoptose

Apoptose ou morte celular programada é um tipo de "auto-destruição celular" que ocorre de forma ordenada e demanda energia para a sua execução.

domingo, 29 de junho de 2008

Virtude do Tempo - Parte II

Depois de algum afastamento nas lides blogueiras, não é que regresso com mais uma dissertação sobre o tema do TEMPO.

Realmente há pessoas que não tem mesmo mais nada que fazer, então passam o seu tempo a apanhar cenas destas:




É que nem num raio de uma estádio de futebol, a disputar o acesso à final de um Europeu de Futebol uma pessoa está sossegada...

Claro está que este tipo de gente existe também em Portugal...Aqui fica o climax e o maior exemplo de gente que não tem nada que fazer com o seu tempo...



Saudação Revolucionária!!!

terça-feira, 24 de junho de 2008

POEMA EM LINHA RECTA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?

Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos

segunda-feira, 23 de junho de 2008

" All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You doI was made for you
You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you "


sábado, 21 de junho de 2008

A bela e o monstro...


Tributo à beleza das coisas simples.

Li e gostei. Ficam aqui duas citações de um pensador recentemente desaparecido.

"A beleza poderá ser o que não tem a ver com a aparência, mas, sim, o que numa pessoa vem sinalizar a sua capacidade de se deixar olhar e mergulhar em transparência."

"As pessoas dizem-se católicas e contudo trata-se de um catolicismo formal, reduzido a sinais e convenções que não significam uma vivência autêntica. E as religiões correspondem a uma combinatória de hipóteses propostas por um catálogo de experiências lúdicas do sagrado. O dia-a dia de cada um de nós tem afinal muito pouco de religioso."

Eduardo Prado Coelho (1944-2007)

Não são meus os pensamentos, mas a foto sem duvida capta a beleza na sua mais pura simplicidade.

Lamento se o "video" chocará as mentes mais sensíveis, mas é admirável a meu ver a coragem para personificar um pouco de tudo aquilo que é negativo e desprezível na humanidade, mas que lamentavelmente é real. Ainda que haja quem o prefira não admitir para a comodidade de sua própria sanidade mental. Identificar, interpretar...resolver. Alternativa a comodidade da hipocrisia.
Contrastes, o belo, o ediondo...o olhar sem preconceitos, admirar conteúdos e não as embalagens que tanto enganam.



A longa e dura caminhada para fora do inferno, é tão triste assistir a caminhadas para dentro dele...nesse sentido não faltam ajudas. No caminho inverso nem por isso...só lá estarão os verdadeiros.

Penso que penso. Ó Anjo consolador dos fracos, eterno espectador da malfadada vida alheia.



sexta-feira, 20 de junho de 2008

"praticamente"

quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão alimesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa.
Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia serdesmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
(Miguel Esteves Cardoso)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

Lisboa-Barcelona-Lisboa

Neste eixo pendular inter-cidades, unicamente lamento não ter visto uma "Musa".
Foi um rock por rio abaixo...valeu o slide e os "Os quatro cavaleiros".

Aqui fica o meu favorito desta "Musa" inspiradora!



No teu mundo, no meu mundo, no nosso mundo...será?
Cada vez perco mais a paixão pelo meu...
Uma santa ceia, uma noite para lembrar, mais do mesmo para esquecer...ressaca estranha. Apagaram-se os reflexos, obra do acaso?
Ia perdendo a cabeça pela rádio em terras de Gaudi, nem assim nasceu um sol no meu mediterrâneo. Valeu hoje, por uma sublime Lua Cheia.


- Muse Lyrics

Um regresso repetido, anos depois...será um ciclo?
Não será difícil fugir das sombras e do lixo...afinal também as temos aqui.

LISBOA
por entre as sombras e o lixo
[Adolfo Luxúria Canibal / Carlos Fortes]


"Lisboa, Cais do Sodré:
Quando chega a noite
Com suas caras fugidias,
Olhos dilatados pelo assombro
Deixamos que a cidade nos invada,
Fantasma a embriagar-nos de luz e côr
Num sonho de mil e uma fantasias,
O desejo cruzando os neons
Em projecções plásticas...

O dealer roubou-me,
Levou-me a alma!
Rai's parta o dealer!

E se depois, ao acordarmos,
Acaso reparamos na escuridão que nos cerca,
No leve restolhar que vem do lúgubre canto,
Somos tomados por uma enorme letargia
Que nos deixa permeáveis
Ao frio da madrugada.
É então que as ratazanas,
Abandonando as trevas,
Ficam estáticas, silenciosas,
A verem-nos ir, equilibrando o passo,
Por entre as sombras e o lixo...

O dealer roubou-me,
Levou-me a alma!
Rai's parta o dealer!

Táxi!
Casal Ventoso, se faz favor!"

Irónico como nossas vidas se abraçam em trajectórias divergentes e convergentes que nem partículas, tal como átomos, moléculas, galáxias...estranhas mas belas estas leis do universo.

Despeço-me com amizade. :)

Táxi!
Stª. Apolónia, se faz favor!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Para ver. Uma curta de um amigo.

Esta é simples, é só sentar e ver.

sábado, 14 de junho de 2008

Resumo do dia

Frase do dia partilha entre a mosca, o ursinho do amor e a gata, confortavelmente alapados no passeio da Miguel Bombarda: tende cuidado de quando escarrares não escarrares contra o vento!!!!

Abraço grande aos dois bloguistas que vieram diplomaticamente marcar o ponto na Miguel Bombarda.

E já agora boas-vindas aos lucky bastards que regressaram hoje de Barcelona e que nem por acaso até foram ver Radiohead!!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Aforismos

Compreender a felicidade do chão sobre o qual te encontras não pode ser maior que os dois pés que o cobrem.

Duas tarefas do início da vida: restringuir cada vez mais o teu círculo e verificar constantemente se não te encontras escondido algures fora dele.

Tu és o trabalho de casa. Nenhum aluno à vista!

Kafka

The pretty voice of god

A sanidade deve ser procurada e vivida instante após instante.
Por isso...

Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

Álvaro de Campos

quinta-feira, 12 de junho de 2008

(In)shape




“The abdomen is the reason why man does not readily take himself to be a god."

Friedrich Nietzsche


Nova bandeira


Temos que reivindicar uma nova bandeira, já que a outra foi vendida a um clube de futebol!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Excelência da boa musica!!!

Boas,

Agora que tenho tempo de férias, não é que me ponho a pesquisar um pouco sobre o meu género musical preferido e....

CUM CATANO....VAI BUSCAR....



Saquei 12 albuns de 12 bandas diferentes, cada uma melhor que a outra....

Fica aqui esta musica, que não é muito pesada, assim não fere susceptibilidades....

domingo, 8 de junho de 2008

sábado, 7 de junho de 2008

Poesia bernácula

Uamore é fuago que arde sem se bere
É frida que aleija e num-se siente
É um contenta mento des contuente
É dore que dezatina sem duere

É um num crere mais que bem crere
É solitário ondar por entre agente
É nunca contentarsse de cão tente
É cuidar que se gánha em se foder

É crer estar na choldra por bontade
É serbir a quem bence, é o maior!
É tere com que nos lixa lealdade

Mas como cauzar pode seu fabuare
Nos coraçons humanos amisade
Se tom contrario a si é o mesmo uamuare!

Do Zé Nando à Tóina, com muinto amore e muinta paixonhe

sexta-feira, 6 de junho de 2008

(De)Mentes (In)(irre)quietas

Será que temos de guardar os nossos tesouros só para nós?
Costumava recusar emprestar os meus LPs de Joy Division. Hoje, orgulhoso dos meus 37 anos, olho para trás e acho que naquele tempo era a atitude que mais sentido fazia.
Hoje continuo a não querer empresta-los, a diferença é que agora ninguém mos pede.
Será que temos de guardar os nossos tesouros só para nós?......Claro, quem somos nós sem os nossos tesouros.

Um conselho que vos deixo...


Os Conselhos Que Vos Deixo 02 from Não Alinhados on Vimeo.

de Bruno Aleixo

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Fernando Alvim não é aquilo que parece...


O Homem Por Detrás da Máscara 02 from Não Alinhados on Vimeo.

É FENOMENAL!!!!!!!!!!! :)

Regras

REGRAS DE UM RELACIONAMENTO EQUILIBRADO.
Um casal recém casado vai viver na sua nova Casa.
O homem diz: - Se quer viver comigo, as regras são:1)
Segundas e terças-feiras à noite vou tomar café com os amigos;2)
Quartas-feiras à noite cinema com o pessoal;3)
Quintas, sextas à noite, cerveja com os colegas;4)
Sábados, pescaria com a turma, retornando Domingo pela manhã;5)
E, aos domingos, deito cedo para descansar.
Se quer... Quer... Se não quer... Azar!

Então a mulher responde:
Pra mim só existe uma regra:
Aqui em Casa tem sexo todas as noites.
Quem está, está.
Quem não está...
Azar!

"País de Mierda"


país de mierda




WHO I AM & WHAT I WANT

quarta-feira, 4 de junho de 2008

A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

Carlos Drummond de Andrade, uma vez mais e quantas mais vezes forem precisas...

A casa

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada

Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão

Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede

Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali

Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.

Vinicius de Moraes

Olé!

Hino à razão

Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece,
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.


Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões,
E os que olham o futuro e cismam, mudos,


Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

(Antero de Quental)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Poema do amor interrompido

Quando me tocaste na mão,
Soou um trovão,
Na outra mão!

Depois tocaste-me com o pé,
E algo ficou em pé...
Penso que sabes bem o que é!

Depois cruzaste a perna,
Daquela forma que eu gosto.
Quis entrar na caverna,
Mas apanhei um desgosto:

Algo te incomodava todavia,
Pois tinhas uma enxaqueca,
Foi lixado, eu não sabia,
Que afinal não te ia dar uma queca!

Aquarela

Soneto

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos

(re)Legião da Asneira

Acabou-se o trinta e um, o calor da "Alcateia", um cálice de amizade...uivos de renovação se ouvirão por esses bosques urbanos..., é o devorar da existência. Reside neste, paz e tranquilidade.

Todos os dias são de renovação, neste finito ciclo, o nascer e esmorecer do sol de nossa existência.


Mau...este coelhinho é do pior.




I´m feeling... :)


- Black Sabbath Lyrics

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Clã - Tira a teima

Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte
Pensa bem antes de agires
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Que sou tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás
Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Diz-me diz-me se vês o granito
Onde a cidade, os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou


:)

domingo, 1 de junho de 2008

O não-texto

Não pensem que a minha não-quietude de escrever sobre uma não-mente quieta, é um problema de não ser o que o que não é. Eu apelo ao não não-ser, pelo motivo que se deve ser o que é. É claro que o chavão "não" qualquer coisa é uma ironia ao querer dizer o que já se sabe de forma que se entenda que há algo de original no discurso. Alias, do não-discurso! Por isso devo não-discursar evidenciando o não-chavão, embora o seja! Resumindo, não devemos não-resumir o que já por si não é resumível, senão era um discurso sobre o não-discurso resumido. Espero que não-percebam, porque o não-perceber é um acto pós-moderno de perceber... embora não-perceber é evidentemente diferente de não perceber (sem o hífen... senão era um não-hifen!).

Virtude do Tempo...

Como diria o grande Plutarco (Filosofo e Prosador Grego, do período Greco-Romano):

"Ter Tempo é o bem mais precioso, para quem aspira a grandes coisas!"

Ultimamente tem sido um tema que tem pairado com alguma frequência na minha mente desvairada! Não por mim, pois creio fazer uma gestão temporal aceitavel, mas numa analise profunda da quantidade de tempo que as pessoas infelizmente perdem, chega a atingir o ponto do ridiculo! É tempo perdido no transito, é tempo perdido com filas de espera e repartições publicas, mas sinceramente o que mais me irrita é a quantidade de tempo estupida que se perde a pensar em problemas!!!!

Expressões tipo, que certamente já passaram pela cabeça de muitos:

- "Ai! Porque me aconteceu isto e aquilo!"
- "Sou um pobre coitado!"
- "Não tenho sorte nenhuma!"

Bla bla bla bla bla bla e afins!!!!

Com isto, rios e rios de tempo perdido a pensar num problema, como se houve-se uma maquina do tempo que fizesse regredir as situações para as podermos corrigir, já para não falar nas valentes dores de cabeça que isso provoca!

Prefiro optar pela teoria do:

"Não penses nos problemas, mas sim nas soluções!"

Pode parecer uma expressão ridicula, pois a solução normalmente está associada ao problema, mas a questão é mesmo o tempo que se dedica a cada um destes parametros da questão!

Um exemplo e uma expressão que creio ser marcante é mesmo a de Thomas Edison tentou duas mil vezes antes de conseguir fazer um filamento de bambu ficar incandescente dentro de um bulbo em semi-vácuo, inventando assim a lâmpada. Quando certa vez lhe disseram que ele havia fracassado duas mil vezes, ele respondeu:

"- Eu não falhei todas essas vezes, só descobri duas mil maneiras de não se fazer uma lâmpada!"

Este é o verdadeiro conceito de rentabilização de tempo.

Como tal, a conclusão que posso tirar é que acabei de desperdiçar 20 minutos da minha vida para escrever este post.

Haja Paciência!

Saudações revolucionarias!

Blood Revolution
"Mas a próxima, que a ultima não deu em nada!"

sábado, 31 de maio de 2008

Uma não-mente quieta

Quem se ousa privilegiar com a quietude? Num não-lugar onde o nem-pensar-quem-seja, num mundo do não não-sei-quê, exige uma velocidade que só a não-velociade a pode esconjurar. Digamos que não-dizer não é propriamente não dizer, é um manifesto ao querer dizer o que não se disse. É uma quietude não-velocípede? Não! Mas se não-dizemos no propósito de dizer o que já se sabe o que não-diz, então mais vale ficar quieto e nada dizer!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS"

 «Todas as cartas de amor são Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,  têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje as minhas memórias  dessas cartas de amor  é que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.)»
Álvaro de Campos


Que solte o primeiro grito de revolta quem nunca perdeu a cabeça ao ponto de escrever uma carta de (des)amor.

***

Fernado Pessoa - A Carta da Corcunda para o Serralheiro

“Senhor António:
O senhor nunca há de ver esta carta, nem eu a hei de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.
O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.

O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.
Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter — e agora menos que nem vida tenho — gostava de saber tudo.

Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isso, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importância em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.
Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim, para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.
Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.

Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu às vezes me envergonho de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.
Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distraída.
Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.

Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é e não como tinha vontade de ser.
(…)
- e enfim porque lhe estou eu a escrever se lhe não vou mandar esta carta?
O senhor que anda de um lado para o outro não sabe qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.
O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de vez em quando me dizer adeus da rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.
A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não mulher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma espécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vêm, valha me Deus.
O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!) o António da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.
Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.

Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida.
Aí tem e estou a chorar.
Maria José“

Simplemente MÁGICO....
Despeço-me com um abraço amigo