Sinfonia de Inquietude




Selecção musical por DJ Tormento, aceito discos pedidos...lol

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Metamorfose do tempo.




"Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida."
(Fernando Pessoa)

Um novo ano feliz, é o que vos desejo meus amigos!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Quem para ser amigo?


Perguntado sobre quem devemos procurar para amigo, Sócrates, respondeu: “Aquele, penso, que tenha as qualidades contrárias: senhor dos apetites sensuais, fiel a seus julgamentos, condescendente nos negócios, que não fique atrás dos que o beneficiem, pronto a servir quem o sirva”
Muitas vezes, Sócrates disse que coleccionava amizades, e, exactamente por isso,a sua vida tinha sentido. Também Cícero, na velhice, recordava das amizades que teve, cujo efeito era o “sentimento de ter vivido uma vida feliz”. Infelizmente, os filósofos de hoje, sobretudo os especialistas formados nas frias “ralações” acadêmicas, são ignorantes quanto a exortar o valor da amizade e fornecer instrumentos mais actualizados para desenvolvermos amizades, num mundo cada vez mais solitário e perigoso. O individualismo e a pressa de nossa época boicotam, por exemplo, compreender um amigo no seu descontrole ou no seu destempero. E como. ah..

Bem mas isto são balelas só minhas e de um recente amigo meu, o Sr.Alberoni. Sim. Ele mesmo. Acho eu. Não sou boa de nomes. Escreve livros sobre amizade.. Argh..é o que dá ser sociólogo na Pianceza, la para Itália. Vão ao Google.Leituras Vazias, mas a técnica? Está por lá. Está. Eu Confirmo.

Mas ele tem razão quando diz: " A amizade é a única relação afectiva incompatível com a ambivalência. Talvez seja por este motivo que os amigos prefiram ver-se apenas de vez em quando do que viverem juntos. " Este homem pensa. Nós não?

Dará resultado?

Aaaa Vamos lá ver.

Não é preciso temer as palavras meus amigos.

Pior. Pior mesmo. É a confirmação delas.

Medo. Algum. Oops. Nem Pensar. Dúvidas?

"Há amizades que nunca chegam a acontecer".


Richard Curtis realizou o "Amor acontece", lembram-se? (ah. Gosto do título.), ouvi dizer que para 2009 teríamos "A Amizade também Aconteceu"..


Feliz 2009!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Altos voos.



Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

Um feliz natal para todos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

(amor liberdade?)




Uma das indigências dos nossos dias é a que se refere ao amor. Não porque ele não exista, mas a sua existência não acha lugar, acolhimento na própria mente e mesmo na própria alma de quem é visitado por ele. No ilimitado espaço que, na aparência, a mente de hoje abre a toda a realidade, o amor tropeça com barreiras infinitas. E tem de justificar-se e dar razões sem fim, e tem de resignar-se finalmente a ser confundido com a multidão dos sentimentos, ou dos instintos, se não quer esse lugar escuro da “libido”, ou ser tratado como uma doença secreta, de que deveríamos libertar-nos. A liberdade, todas as liberdades não parecem ter-lhe servido de nada; a liberdade de consciência menos que nenhuma, pois, à medida que o homem foi acreditando que o seu ser consistia na consciência e mais nada, o amor foi-se encontrando sem espaço vital onde respirar, como uma pássaro asfixiado no vazio de uma liberdade negativa.
Pois a liberdade foi adquirindo um sinal negativo, foi-se convertendo – ela também – em negatividade, como se, ao ter feito de uma liberdade o a priori da vida, o amor, o primeiro, a tivesse abandonado. E assim, ficará o homem com uma liberdade vazia, o oco do seu ser possível. Como se a liberdade não fosse senão essa possibilidade, o ser possível que não pode realizar-se, necessitando do amor que engendra. “No princípio era o verbo”, queria dizer também que era o amor, a luz da vida, o futuro a realizar-se. Sob essa luz, a vida humana descobria o espaço infinito de uma liberdade real, a liberdade que o amor concede aos seus escravos.
Viver o lado negativo da liberdade parece ser o destino que há-de purificar o homem da nossa época. E nada mais difícil de decifrar que o que sucede na negação, na sombra e na vacuidade. Vida na negação, é a que se vive na ausência do amor. Quando o amor – inspiração, sopro divino no homem – se retira, não parece perder-se nada de momento, e até parecem emergir com mais força e claridade coisas como os direitos do homem emancipado. Todas as energias que integravam o amor ficam soltas e a vaguear por sua conta. Como sempre que se produz uma desintegração, há uma repentina liberdade, em verdade pseudo-liberdade, que depressa se esgota.

María Zambrano

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"you can erase someone from your mind. getting them out of your heart is another story." *

* from "Eternal Sunshine of the Spotless Mind"



“Undenied” By Portishead