Sinfonia de Inquietude




Selecção musical por DJ Tormento, aceito discos pedidos...lol

sábado, 31 de maio de 2008

Uma não-mente quieta

Quem se ousa privilegiar com a quietude? Num não-lugar onde o nem-pensar-quem-seja, num mundo do não não-sei-quê, exige uma velocidade que só a não-velociade a pode esconjurar. Digamos que não-dizer não é propriamente não dizer, é um manifesto ao querer dizer o que não se disse. É uma quietude não-velocípede? Não! Mas se não-dizemos no propósito de dizer o que já se sabe o que não-diz, então mais vale ficar quieto e nada dizer!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS"

 «Todas as cartas de amor são Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,  têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje as minhas memórias  dessas cartas de amor  é que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.)»
Álvaro de Campos


Que solte o primeiro grito de revolta quem nunca perdeu a cabeça ao ponto de escrever uma carta de (des)amor.

***

Fernado Pessoa - A Carta da Corcunda para o Serralheiro

“Senhor António:
O senhor nunca há de ver esta carta, nem eu a hei de ver segunda vez porque estou tuberculosa, mas eu quero escrever-lhe ainda que o senhor o não saiba, porque se não escrevo abafo.
O senhor não sabe quem eu sou, isto é, sabe mas não sabe a valer. Tem-me visto à janela quando o senhor passa para a oficina e eu olho para si, porque o espero a chegar, e sei a hora que o senhor chega. Deve sempre ter pensado sem importância na corcunda do primeiro andar da casa amarela, mas eu não penso senão em si. Sei que o senhor tem uma amante, que é aquela rapariga loura alta e bonita; eu tenho inveja dela mas não tenho ciúmes de si porque não tenho direito a ter nada, nem mesmo ciúmes. Eu gosto de si porque gosto de si, e tenho pena de não ser outra mulher, com outro corpo e outro feitio, e poder ir à rua e falar consigo ainda que o senhor me não desse razão de nada, mas eu estimava conhecê-lo de falar.

O senhor é tudo quanto me tem valido na minha doença e eu estou-lhe agradecida sem que o senhor o saiba. Eu nunca poderia ter ninguém que gostasse de mim como se gostasse das pessoas que têm o corpo de que se pode gostar, mas eu tenho o direito de gostar sem que gostem de mim, e também tenho o direito de chorar, que não se negue a ninguém.
Eu gostava de morrer depois de lhe falar a primeira vez mas nunca terei coragem nem maneiras de lhe falar. Gostava que o senhor soubesse que eu gostava muito de si, mas tenho medo que se o senhor soubesse não se importasse nada, e eu tenho pena já de saber que isso é absolutamente certo antes de saber qualquer coisa, que eu mesmo não vou procurar saber.
Eu sou corcunda desde a nascença e sempre riram de mim. Dizem que todas as corcundas são más, mas eu nunca quis mal a ninguém. Além disso sou doente, e nunca tive alma, por causa da doença, para ter grandes raivas. Tenho dezanove anos e nunca sei para que é que cheguei a ter tanta idade, e doente, e sem ninguém que tivesse pena de mim a não ser por eu ser corcunda, que é o menos, porque é a alma que me dói, e não o corpo, pois a corcunda não faz dor.
Eu até gostava de saber como é a sua vida com a sua amiga, porque como é uma vida que eu nunca posso ter — e agora menos que nem vida tenho — gostava de saber tudo.

Desculpe escrever-lhe tanto sem o conhecer, mas o senhor não vai ler isso, e mesmo que lesse nem sabia que era consigo e não ligava importância em qualquer caso, mas gostaria que pensasse que é triste ser marreca e viver sempre só à janela, e ter mãe e irmãs que gostam da gente mas sem ninguém que goste de nós, porque tudo isso é natural e é a família, e o que faltava é que nem isso houvesse para uma boneca com os ossos às avessas como eu sou, como eu já ouvi dizer.
Houve um dia que o senhor vinha para a oficina e um gato se pegou à pancada com um cão aqui defronte da janela, e todos estivemos a ver, e o senhor parou, ao pé do Manuel das Barbas, na esquina do barbeiro, e depois olhou para mim, para a janela, e viu-me a rir e riu também para mim, e essa foi a única vez que o senhor esteve a sós comigo, por assim dizer, que isso nunca poderia eu esperar.
Tantas vezes, o senhor não imagina, andei à espera que houvesse outra coisa qualquer na rua quando o senhor passasse e eu pudesse outra vez ver o senhor a ver e talvez olhasse para mim e eu pudesse olhar para si e ver os seus olhos a direito para os meus.

Mas eu não consigo nada do que quero, nasci já assim, e até tenho que estar em cima de um estrado para poder estar à altura da janela. Passo todo o dia a ver ilustrações e revistas de modas que emprestam à minha mãe, e estou sempre a pensar noutra coisa, tanto que quando me perguntam como era aquela saia ou quem é que estava no retrato onde está a Rainha de Inglaterra, eu às vezes me envergonho de não saber, porque estive a ver coisas que não podem ser e que eu não posso deixar que me entrem na cabeça e me dêem alegria para eu depois ainda por cima ter vontade de chorar.
Depois todos me desculpam, e acham que sou tonta, mas não me julgam parva, porque ninguém julga isso, e eu chego a não ter pena da desculpa, porque assim não tenho que explicar porque é que estive distraída.
Ainda me lembro daquele dia que o senhor passou aqui ao Domingo com o fato azul claro. Não era azul claro, mas era uma sarja muito clara para o azul escuro que costuma ser. O senhor ia que parecia o próprio dia que estava lindo e eu nunca tive tanta inveja de toda a gente como nesse dia. Mas não tive inveja da sua amiga, a não ser que o senhor não fosse ter com ela mas com outra qualquer, porque eu não pensei senão em si, e foi por isso que invejei toda a gente, o que não percebo mas o certo é que é verdade.

Não é por ser corcunda que estou aqui sempre à janela, mas é que ainda por cima tenho uma espécie de reumatismo nas pernas e não me posso mexer, e assim estou como se fosse paralítica, o que é uma maçada para todos cá em casa e eu sinto ter que ser toda a gente a aturar-me e a ter que me aceitar que o senhor não imagina. Eu às vezes dá-me um desespero como se me pudesse atirar da janela abaixo, mas eu que figura teria a cair da janela? Até quem me visse cair ria e a janela é tão baixa que eu nem morreria, mas era ainda mais maçada para os outros, e estou a ver-me na rua como uma macaca, com as pernas à vela e a corcunda a sair pela blusa e toda a gente a querer ter pena mas a ter nojo ao mesmo tempo ou a rir se calhasse, porque a gente é como é e não como tinha vontade de ser.
(…)
- e enfim porque lhe estou eu a escrever se lhe não vou mandar esta carta?
O senhor que anda de um lado para o outro não sabe qual é o peso de a gente não ser ninguém. Eu estou à janela todo o dia e vejo toda a gente passar de um lado para o outro e ter um modo de vida e gozar e falar a esta e àquela, e parece que sou um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá.
O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Se o senhor soubesse isto tudo era capaz de vez em quando me dizer adeus da rua, e eu gostava de se lhe poder pedir isso, porque o senhor não imagina, eu talvez não vivesse mais, que pouco é o que tenho de viver, mas eu ia mais feliz lá para onde se vai se soubesse que o senhor me dava os bons dias por acaso.
A Margarida costureira diz que lhe falou uma vez, que lhe falou torto porque o senhor se meteu com ela na rua aqui ao lado, e essa vez é que eu senti inveja a valer, eu confesso porque não lhe quero mentir, senti inveja porque meter-se alguém connosco é a gente ser mulher, e eu não mulher nem homem, porque ninguém acha que eu sou nada a não ser uma espécie de gente que está para aqui a encher o vão da janela e a aborrecer tudo que me vêm, valha me Deus.
O António (é o mesmo nome que o seu, mas que diferença!) o António da oficina de automóveis disse uma vez a meu pai que toda a gente deve produzir qualquer coisa, que sem isso não há direito a viver, que quem não trabalha não come e não há direito a haver quem não trabalhe. E eu pensei que faço eu no mundo, que não faço nada senão estar à janela com toda a gente a mexer-se de um lado para o outro, sem ser paralítica, e tendo maneira de encontrar as pessoas de quem gosta, e depois poderia produzir à vontade o que fosse preciso porque tinha gosto para isso.
Adeus senhor António, eu não tenho senão dias de vida e escrevo esta carta só para a guardar no peito como se fosse uma carta que o senhor me escrevesse em vez de eu a escrever a si. Eu desejo que o senhor tenha todas as felicidades que possa desejar e que nunca saiba de mim para não rir porque eu sei que não posso esperar mais.

Eu amo o senhor com toda a minha alma e toda a minha vida.
Aí tem e estou a chorar.
Maria José“

Simplemente MÁGICO....
Despeço-me com um abraço amigo

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Placebo - This Picture

I hold an image of the ashtray girl
Of cigarette burns on my chest
I wrote a poem that described her world
And put our friendship to the test
And late at night
Whilst on all fours
She used to watch me kiss the floor
What's wrong with this picture?
What's wrong with this picture?

Farewell the ashtray girl
Forbidden snowflake
Beware this troubled world
Watch out for earthquakes
Goodbye to open sores
To broken semaphore
You know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old

Farewell the ashtray girl
Angelic fruitcake
Beware this troubled world
Control your intake
Goodbye to open sores
Goodbye and furthermore
You know we miss her
We miss her picture

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old

Hang on
Though we try
It's gone
Hang on
Though we try
It's gone

Sometimes it's fated
(We) Disintegrated it
For fear of growing old
Sometimes it's fated
(We) Assassinated it
For fear of growing old
Can't stop growing old...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

"What is life but the angle of vision? A man is measured by the angle at which he looks at objects. What is life but what a man is thinking of all day? This is his fate and his employer. Knowing is the measure of the man. By how much we know, so we are."
Ralph Waldo Emerson

terça-feira, 27 de maio de 2008

Simples e verdadeiro, onde?




Um gajo distrai-se e prontos...aqui está esta bela criança em crescimento exponencial. :)
Fico feliz por estas divagações de vossas almas e mentes brilhantes meus amigos!

Fico-me pelo conforto e simplicidade de uma citação.

Despeço-me com amizade, aquele abraço meus radiantes amigos.

"O Verdadeiro é Simples

O verdadeiro, o bom, o inigualável é simples e é sempre idêntico a si mesmo, seja qual for a forma sob a qual ocorre. Pelo contrário, o erro, sobre o qual sempre recairá a censura, é de uma extrema diversidade, diferente em si mesmo, em luta não apenas contra o verdadeiro e bom mas também consigo mesmo, sempre em contradição consigo próprio. É por isso que em todas as literaturas as expressões de censura hão-de ser sempre muito mais que as palavras destinadas aos louvores."

Johann Wolfgang von Goethe, em "Máximas e Reflexões"


Aqui fica um video do Sr. uTube, pedido especial. :)*

O que há em mim é sobretudo cansaço

Já que estamos numa de "publicar" poemas e músicas que nos tocam (pelas mais variadas razões), permitam-me que partilhe com vocês um "desabafo" de Álvaro de Campos:

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Ornatos Violeta - Dia Mau

Nao quis guarda-lo para mim
E com a dimensao da dor
A legitimar o fim

Eu dei
Mas foi para mostrar
Nao havendo amor de volta
Nada impede a fonte de secar

Mas tanto pior
E quem sou eu para te ensinar agora
A ver o lado claro de um dia mau

Eu sei
A tua vida foi
Marcada pela dor de nao saber aonde dói

Mas vendo bem
Nao houve à luz do dia
Quem nao tenha provado
O travo amargo da melancolia

E entao rapaz,
Entao porque a raiva se a culpa nao é minha
Serao efeitos secundarios da poesia

Mas para que gastar o meu tempo
A ver se aperto a tua mao
Eu tenho andado a pensar em nós
Ja que os teus pés nao descolam do chao
Dizes que eu dou só por gostar
Pois vou dar-te a provar
O travo amargo da solidao!

Ohhh-hou
Eu tenho andado a pensar em nós
Ja que os teus pés nao descolam do chao
Dizes que eu dou só por gostar
Eu vou dar-te a provar
O travo amargo da solidao!
Ohh Uohh

É só mais um dia mau, mau, mau
É só mais um dia mau, mau, mau
É só mais um dia mau
É só mais um dia mau
É só mais um dia mau

Brooken

Brooken e n partido porque existem expressões que dão mais sentido aos sentidos … partiu... quebrou… rompeu … morreu… sucumbiu o meu estimulo pelo amar pelo sentir...
e como? Como? ..."amar depois de amar-te"...
Misteriosa e silenciosamente brooken, uma composição ditada pelos cortes, pela costura.
Sou farrapo do que fui.
Mestre de costura de remendos, de pinturas, de concertos. Especial… tão especial que assusta… então a resposta será ser vulgar… normaluxa… tipo… em saldos..
Consome-me consome-me porque eu própria me sinto intragável imprestável e inatingível…


Para quem entende o renascer depois de uma ruptura.
Dificil é o caminho pelo renascer das cinzas... mas que sejamos como a fenix que de cada vez que renasce... renasce com mais forte e mais bonita.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Look into my eyes

http://br.youtube.com/watch?v=4jokzBmx-uA

...

Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 25 de maio de 2008

...amizade...

Palavras ao sentimento…
Quanto de nós é feito de palavras, gestos imperfeitamente insuficientes para mostrar um outro amor.

Imaginamos alguém que nos olhe com o olhar da pureza e da dignidade de um ser que caminha a teu lado sem amarras de compromissos, de parecenças ou de laços de sangue.
Alguém que ficou ali apenas por é bom estar… pq as vibrações batem em mesma sintonia.
Que te admira, te molda, te conhece e reconhece no escuro ou n luz.

Alguém que nos enche o sorriso de cada a vez que a vês e que contorna o mundo só para te fazer a vontade, que diz que sim só porque lhe pediste, que aceita o teu feitio, e acha que faz parte do teu charme…
Que se lembra de ti quando ouve uma musica que tu gostas…
Que guarda os teus segredos como se fosse os seus…. SHUIIIII….. n contes a ninguém.. :)
Mas gosto de ti!

Assim de uma forma imperfeita, por mais que tente aperfeiçoar, mas que será sempre feita do melhor de mim… se n te dou mais é porque isso é coisa que n existe em mim.

sábado, 24 de maio de 2008

libertação

liberta-te das amarras ganha asas e voa!


terça-feira, 20 de maio de 2008

Certo ou errado?












Estava difícil dar inicio ás hostilidades aqui neste blog, espero não ser o único a dar um contributo, certamente não serei a única mente inquieta. Estarei certo ou errado? :)
Apesar da actual falta de inspiração e energia, era agora ou nunca. Neste "Jogo" que é a vida, na eterna busca pela felicidade, há que nunca ter medo de ir ao jogo. Mesmo na derrota existe uma pequena vitória, a consciência de termos forças para a superar e seguir em frente. È a verdade de nossa existência, pura sobrevivência.



De profundis

Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (...). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (...). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (...). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (...). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos.

(Oscar Wilde, in "De Profundis")