
"Quando uma palavra morre
Quando é dita
Dir-se-ia
Pois eu digo
Que ela nasce
nesse dia
Meu rio corre até ti:
Mar azul, aceitas-me?
Meu rio espera resposta.
Ó mar, vê se me gostas.
Eu te trarei regaços
Diz mar, vais-me levar?
Eu tinha uma Jóia nos dedos
E fui dormir. Comigo
Pensei: O dia está quente, o vento indolente,
Não há perigo.
Ao acordar censurei meus dedos honestos
A Jóia sumira.
E agora uma lembrança Ametista
É só o que me resta.
Eu nunca ouço a palavra "escapar"
sem sentir fremente o sangue
Nas veias, espera do de repente,
Atitude de voar!
Nunca ouço de maciças prisões
Em combates derrubadas
Sem ficar sacudindo as minhas grades,
Infantilmente - p'ra nada!
Há certas coisas de voar -
Aves - abelhas - horas do dia -
delas nenhuma elegia.
Há outras coisas de ficar -
Dor - colinas - eternidade -
Não me competem, em verdade.
E há outras que o repouso re-anima -
O arcaz dos céus posso eu expor?
Tão quieto jaz o enigma!"
(EMILY DICKINSON)