Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado. (Göethe)
Sinfonia de Inquietude
Selecção musical por DJ Tormento, aceito discos pedidos...lol
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Nova bandeira
Temos que reivindicar uma nova bandeira, já que a outra foi vendida a um clube de futebol!
Eu sou republicano e anti-monárquico, embora respeite todos os reis que promovem e difundem a democracia, a liberdade e o pluralismo (como o Rei Juan Carlos, a Rainha Beatriz, a Rainha Isabel... por aí fora)! Esta bandeira é republicana por conter a esfera armilar republicana, diferente da dos liberais de 1830 a 1910. O azul e branco que proponho não é por causa do Futebol Clube do Porto. O motivo é por ser um país historicamente ligado ao mar (daí o azul) e o branco pela paz que lhe é característica. O significado do vermelho e verde, pelo contrário, é extremamente belicista, violento, nacionalista. Durante o Estado Novo, foi difundida a ideia de que o verde representava as florestas de Portugal e de que o vermelho representava o sangue dos que tinham morrido pela independência da Nação. Ora, esta bandeira, com estas cores, é motivo de orgulho? Haja a ideia do azul do céu e do mar, da aventura, do desafio cientifico da descoberta, juntamente com o branco da paz e da neutralidade.
A bandeira, tal como hoje a conhecemos, excepto algumas alterações nas quinas e na esfera armilar, foi pensada por Bordalo Pinheiro. Azul e branco... sim, calmaria, mar, paz... Mas sejamos sinceros, é isso o que o Povo Português é? calmo, pescador e pacífico? não me parece... aparentemente até pode sê-lo, mas no fundo, no fundo, há sempre uma revolta a surgir, uma luta por lutar e uma vida por viver, nem que seja dentro de si mesmo. Belicosos somos todos nós. Mas se uns usam armas outros usam as palavras. Vermelho por acaso é uma das minhas cores preferidas, que não interessa para o assunto. Mas é também a vida e a morte, é o sangue que corre nas nossas veias, é o sangue que qualquer guerra sempre derrama, seja ou não, uma guerra no seu próprio interior. E verde, se fosse ambientalista nem precisaria de explicar, já que a ironia dos tempos que correm levam à "reciclagem" de tudo e mais alguma coisa. Mas verde é esperança, não verdes prados que começaram a desaparecer das memórias. É a esperança em tudo! Em si mesmo, nos outros, mas acima de tudo, a esperança de que ainda pode algo, alguém mudar. É uma bandeira viva e não pálida, e surpreende por isso mesmo! Também gosto da bandeira anterior, mas se estamos numa república, e doutrinamos uma democracia, será que faz sentido utilizar estas cores e mais, será que faz sentido utilizar uma bandeira que surgiu numa das fases mais conturbadas da nossa história? mas não interessa... de que serve preocupar-me com a bandeira quando o que me preocupa é o facto de ser portuguesa? é o facto de apenas se dar importância a um objecto quando há jogo de futebol... é o facto de um brasileiro nos relembrar que afinal ainda temos uma bandeira na manga. Porque de resto, onde está a bandeira? E o que é feito dos Portugueses?...
"Há muitos anos a política em Portugal apresenta este singular estado: Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai duns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, numa explosão de risadas. Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão, - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do país, e outras injúrias pequenas, mais particularmente dirigidas aos seus carácteres e às suas famílias. Os outros, os que não estão no poder são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais – os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, os interesses do país e a pátria. Mas, cousa notável! Os cinco que estão no poder, fazem tudo o que podem – intrigam, trabalham, para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se para deixar de ser – o mais depressa que puderem – os verdadeiros liberais e os interesses do país! Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros – os verdadeiros liberais – entram triunfalmente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país, e os que caíram do poder, resignam-se cheios de fel e de amargura – a vir ser os verdadeiros liberais e os interesses do país!" (Eça de Queirós)
Tanto mudou... Nação existe para servir o cidadão ou o contrário?
4 comentários:
Epá...
A bandeira ainda vá que não vá que até é bonita...
O pior é se a seguir a bandeira vem o regime que ela representa na nossa história!!!!
AI que PIO!!!!
Eu sou republicano e anti-monárquico, embora respeite todos os reis que promovem e difundem a democracia, a liberdade e o pluralismo (como o Rei Juan Carlos, a Rainha Beatriz, a Rainha Isabel... por aí fora)! Esta bandeira é republicana por conter a esfera armilar republicana, diferente da dos liberais de 1830 a 1910. O azul e branco que proponho não é por causa do Futebol Clube do Porto. O motivo é por ser um país historicamente ligado ao mar (daí o azul) e o branco pela paz que lhe é característica.
O significado do vermelho e verde, pelo contrário, é extremamente belicista, violento, nacionalista. Durante o Estado Novo, foi difundida a ideia de que o verde representava as florestas de Portugal e de que o vermelho representava o sangue dos que tinham morrido pela independência da Nação.
Ora, esta bandeira, com estas cores, é motivo de orgulho? Haja a ideia do azul do céu e do mar, da aventura, do desafio cientifico da descoberta, juntamente com o branco da paz e da neutralidade.
A bandeira, tal como hoje a conhecemos, excepto algumas alterações nas quinas e na esfera armilar, foi pensada por Bordalo Pinheiro. Azul e branco... sim, calmaria, mar, paz... Mas sejamos sinceros, é isso o que o Povo Português é? calmo, pescador e pacífico? não me parece... aparentemente até pode sê-lo, mas no fundo, no fundo, há sempre uma revolta a surgir, uma luta por lutar e uma vida por viver, nem que seja dentro de si mesmo. Belicosos somos todos nós. Mas se uns usam armas outros usam as palavras. Vermelho por acaso é uma das minhas cores preferidas, que não interessa para o assunto. Mas é também a vida e a morte, é o sangue que corre nas nossas veias, é o sangue que qualquer guerra sempre derrama, seja ou não, uma guerra no seu próprio interior. E verde, se fosse ambientalista nem precisaria de explicar, já que a ironia dos tempos que correm levam à "reciclagem" de tudo e mais alguma coisa. Mas verde é esperança, não verdes prados que começaram a desaparecer das memórias. É a esperança em tudo! Em si mesmo, nos outros, mas acima de tudo, a esperança de que ainda pode algo, alguém mudar. É uma bandeira viva e não pálida, e surpreende por isso mesmo! Também gosto da bandeira anterior, mas se estamos numa república, e doutrinamos uma democracia, será que faz sentido utilizar estas cores e mais, será que faz sentido utilizar uma bandeira que surgiu numa das fases mais conturbadas da nossa história? mas não interessa... de que serve preocupar-me com a bandeira quando o que me preocupa é o facto de ser portuguesa? é o facto de apenas se dar importância a um objecto quando há jogo de futebol... é o facto de um brasileiro nos relembrar que afinal ainda temos uma bandeira na manga. Porque de resto, onde está a bandeira? E o que é feito dos Portugueses?...
"Há muitos anos a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai duns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, numa explosão de risadas.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião e os dizeres de todos os outros que lá não estão, - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do país, e outras injúrias pequenas, mais particularmente dirigidas aos seus carácteres e às suas famílias.
Os outros, os que não estão no poder são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais – os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, os interesses do país e a pátria.
Mas, cousa notável!
Os cinco que estão no poder, fazem tudo o que podem – intrigam, trabalham, para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do país, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se, conspiram, cansam-se para deixar de ser – o mais depressa que puderem – os verdadeiros liberais e os interesses do país!
Até que enfim caem os cinco do poder, e os outros – os verdadeiros liberais – entram triunfalmente na designação herdada de esbanjadores da fazenda e ruína do país, e os que caíram do poder, resignam-se cheios de fel e de amargura – a vir ser os verdadeiros liberais e os interesses do país!"
(Eça de Queirós)
Tanto mudou...
Nação existe para servir o cidadão ou o contrário?
Fica a questão!
Saudações Patrióticas
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