Sinfonia de Inquietude




Selecção musical por DJ Tormento, aceito discos pedidos...lol

sexta-feira, 30 de maio de 2008

"TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS"

 «Todas as cartas de amor são Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,  têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia sem dar por isso cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje as minhas memórias  dessas cartas de amor  é que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.)»
Álvaro de Campos


Que solte o primeiro grito de revolta quem nunca perdeu a cabeça ao ponto de escrever uma carta de (des)amor.

***

3 comentários:

Nosteamamus disse...

"Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor."
(Wolfgang Amadeus Mozart)

Balada do Cárcere de Reading
(...)
Eu soube, então, a idéia lacerante
que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
radiante, e alheio ao seu sofrer:
de matou aquela que adorava,
- por causa disso vai morrer.

No entanto (ouvi) cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.

Uns matam o Amor, velhos; outros, jovens;
(quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
com a mão da Carne — a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
- que a morte, assim, vem mais depressa.

Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Todo homem mata o Amor; porém, nem sempre,
nem sempre as sortes são iguais."
(...)
(Oscar Wilde)

Que nunca nos falte o amor, e a luxuria pela vida, meus amigos.

miu disse...

“Nunca se sabe o que é para sempre... sobretudo nas coisas do amor... E era uma coisa do amor, isto tudo! São tão estranhas as coisas do amor que não se compreendem por inteiro... Tem de se estar sempre a fazer suposições... Nunca se sabe como e até que ponto a até quando.... Esta obsessão chega para impedir a vida, o Amor pode impedir o Amor, amaldiçoá-lo como um espectro.” P.Paixão

nessa disse...

As cartas de amor não são ridículas a meu ver. Ridículo é alguém pensar que consegue colocar tudo o que sente num pedaço de papel. Pode até dizer metade, ou não. Como pode ficar aquém e além do que pretendia dizer. Mas ao pôr no papel, tem de avaliar e procurar uma explicação. Eu gosto dessas, que ficam frases e frases, páginas e páginas à procura de motivos para. E depois perde-se algo. Não a explicação, mas o sentimento em si. Ridículo é pensar que o amor apenas se sente, quando é das coisas mais pensadas e reflectidas de todos os tempos. E ainda hoje, não houve carta alguma que parecesse completa. Talvez porque os gestos que vieram depois, não ficaram impressos no papel.
Tenho saudades das cartas de amor. Tenho saudades de ver no papel a visão do outro sobre o amor. Tenho saudades de aprender que o Amor apesar de único tem tantas formas de apresentação, tantas, tantas, que me esqueço. Mas se lesse essas cartas ridículas, relembrar-me-ía que afinal o mais ridículo é não sentir o que se está a escrever.